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Sociedade de cidadãos

Só políticas públicas que garantam a proteção social poderão impedir que os mais fracos e desprotegidos sejam excluídos de participar plenamente na sociedade em que vivem. Numa sociedade como a que vivemos em que a identidade do cidadão está vinculada ao trabalho, se o trabalhador ou trabalhadora não tem trabalho, passa a ter uma relação marginal com a sociedade, excluído daquilo que é parte. Se antes a proteção social era uma ação de vontade, ou seja, filantrópica fornecida por aqueles que decidiam o que e quando ajudar, nosso trabalho de luta por uma proteção social digna é o de garantir cidadania, que é direito de todos e todas.

Sociedade de cidadãos

As mudanças bruscas ocorridas nos processos produtivos de uma maneira geral, atingiram diretamente aqueles que estão na ponta das cadeias produtivas. Uma blusa vendida a um preço bastante popular indica que alguém recebeu muito pouco em alguma parte da cadeia produtiva que fez esta blusa chegar até a loja. Esta lógica perversa na busca incessante de menor custo empurra para a pobreza milhares de pessoas, principalmente aqueles que não tiveram a oportunidade de uma melhor qualificação. O exemplo de uma vestimenta é exemplar. O que restou do mundo industrial que ainda não foi robotizado e que ainda é um grande empregador de mão de obra é a indústria de confecção. Se por um lado continua sendo um bom empregador de mulheres e homens, é importante saber como é feita esta utilização da mão de obra.

No mundo onde há pouca ou nenhuma proteção ao trabalhador, esta mão de obra é explorada e ainda vive sob denúncias de trabalho escravo. O normal é o de utilizar serviços das chamadas facções, grupos de pessoas que informalmente produzem parte de um produto para uma grande fábrica. Normalmente ganham por tarefa e trabalhando de maneira informal e sem direitos trabalhistas. Esta realidade de produção no Brasil reúne mais de 300 mil trabalhadores; no mundo passa de milhões. Forma milenar de organização para o trabalho, ganha espaço hoje na produção moderna na busca de custo zero. Ou seja: custo zero como forma de aumentar o lucro. A ação organizada é a de buscar direitos para os trabalhadores e trabalhadores, mas também políticas públicas que garantam a proteção social como forma de impedir que os mais fracos e desprotegidos sejam excluídos de participar plenamente na sociedade em que vivem. Numa sociedade como a que vivemos em que a identidade do cidadão está vinculada ao trabalho, se o trabalhador ou trabalhadora não tem trabalho, passa a ter uma relação marginal com a sociedade, excluído daquilo que é parte. Se antes a proteção social era uma ação de vontade, ou seja, filantrópica fornecida por aqueles que decidiam o que e quando ajudar, nosso trabalho de luta por uma proteção social digna é o de garantir cidadania, que é direito de todos e todas. Para tanto temos que nos manter organizados como também ajudar outros a se organizarem.

Roberto Nolasco
Diretor Técnico Instituto de Altos Estudos da UGT
Tesoureiro Instituto de Promoção Social

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